The weight of a decision

Em uma Olimpíada, conseguimos acompanhar diversas modalidades esportivas, vendo os atletas se superarem a cada degrau rumo ao pódio. No entanto, é curioso pensar que o maior desafio pelo qual eles passam não é televisionado e nem presente nas redes sociais, tampouco percebido pelo grande público. Até agora. A importância do tema - saúde mental - entrou em campo para mostrar que, em alguns momentos, o principal desafio de um esportista pode ser ele mesmo.

A ginasta norte-americana Simone Biles, que optou por não competir na maioria das provas para as quais era favorita, destacou que "sentia o peso do mundo em seus ombros". Quantas vezes nós nos colocamos em um nível de pressão e exigência em diferentes aspectos da vida, como no trabalho ou nos estudos? E sem perceber, quantas vezes nós exigimos isso dos outros também?

Os Jogos Olímpicos representam períodos de conquistas pessoais, superação de limites, celebrações para muitos e, simultaneamente, alto estresse, exigência pessoal e pressão emocional. Além disso, como dizia o filósofo do século 18, Francis Bacon, "a amizade dobra a alegria e corta ao meio os desprazeres". Em uma Olimpíada sem público e sem a presença de entes queridos, e de menor relacionamento interpessoal, o desafio aumenta ainda mais.

A grande contribuição que Simone Biles nos trouxe foi aumentar o nível de conscientização para a relevância do aspecto mental, ao lado do físico, seja para um atleta como para todas as pessoas.

No livro, "Esporte, Um Palco Para a Vida", pude abordar a importância da busca pela autenticidade para atingir a excelência. De aceitar quem somos, com nossas virtudes e defeitos, conectados com a nossa essência. E, com isso, definir melhor os rumos das nossas escolhas pessoais. Precisamos exercitar o nosso "músculo mental" da mesma forma como exercitamos o nosso físico. Da mesma forma como vamos à academia para fortalecer nosso bíceps e usamos uma resistência (os pesos) de forma gradativa, nossa resiliência mental para lidar com obstáculos atua da mesma forma. Os momentos de dor em nossas vidas, desde quando somos pequenos e de forma gradativa, servem para aprendermos a lidar com as dificuldades e como superá-las.

Isso começa desde nossa casa. As crianças que aprendem a aceitar o não, evoluem, crescem e se tornam mais resilientes ao serem confrontadas com momentos difíceis mais tarde. Quando lidarmos com dificuldades, amadurecemos.

 Simone demonstrou bravura ao enfrentar a dificuldade e saber o momento exato de se retirar em busca de sua preservação e autocuidado. Tenha sempre em mente ambos: o enfrentamento e o autoconhecimento.

Expresso meu apoio a todos aqueles que estão em processo de autoconhecimento. Nunca foi tão importante abraçar a autenticidade de ser quem se é, assumindo tanto os pontos fortes quanto as vulnerabilidades.

Ao mesmo tempo, é essencial ampliar o debate nas famílias, escolas, associações desportivas e empresas sobre saúde mental e como podemos juntos traduzir o conhecimento em ações práticas para termos maior resiliência nos momentos de dificuldade, ao enfrentar obstáculos e dor, aspectos inerente à jornada de vida.


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